Os primeiros dias de agosto assinalaram uma mudança importante no "Jornal Nacional". O principal telejornal do país reduziu drasticamente o tamanho e o destaque que vinha dando à cobertura da pandemia de coronavírus.
Na edição de segunda-feira (03), o tempo dedicado ao assunto foi de 10 minutos. Uma semana antes, em 27 de julho, havia sido de 30 minutos. Das oito chamadas lidas na abertura, a chamada "escalada", apenas a última dizia respeito ao tema. Uma semana antes, dos oito destaques iniciais, os cinco primeiros anunciavam matérias sobre a pandemia.
Na edição de terça-feira, o tempo dedicado ao assunto foi de 11 minutos, bem abaixo da média de julho. E pela primeira vez desde 21 de fevereiro, há mais de cinco meses, não trouxe nenhum destaque sobre a pandemia de coronavírus na sua "escalada".
Iniciada ainda em janeiro, a cobertura sobre os efeitos do coronavírus alcançou o seu pico em março, manteve-se em alta nos meses de abril e maio, perdeu um pouco de força em junho e julho e dá sinais de cansaço ou esgotamento neste início de agosto.
Uma explicação para a redução do tempo e do destaque do assunto no JN pode ser a audiência. Em São Paulo, o principal mercado do país, o Ibope médio do telejornal em julho foi de 30,3 pontos, cerca de 5% inferior a maio, que foi de 31,9.
Esta audiência média de julho é semelhante à de fevereiro (30,5), mas bem abaixo do melhor momento recente do JN, que ocorreu em março (33,9).
Mesmo com estas pequenas variações, os números mostram que o telejornal tem uma audiência cativa muito fiel. E não justificam, por si só, a redução no espaço e no destaque dado à pandemia.
É possível especular que haja também um cansaço do público com o assunto, eventualmente medido em pesquisas ou pela repercussão nas redes sociais. Esta redução da cobertura é visível também em outras mídias, como jornais e sites noticiosos.
O problema é que este movimento ocorre num momento em que a pandemia não dá sinais de arrefecer no Brasil. Ao contrário, com registros de mais de mil mortes por dia, o país se aproxima de um total de 100 mil mortos pela Covid-19. |
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