Com a pior média de audiência da história e uma campeã muito rejeitada nas redes sociais, o "BBB 19" sugeriu que, enfim, a fórmula do principal reality show da Globo tinha se esgotado. Ledo engano.
Um ano depois, a emissora festeja uma edição extremamente bem-sucedida em matéria de Ibope, faturamento comercial, engajamento extraordinário nas redes sociais, números de votação recordes e repercussão em todas as mídias. Um fenômeno ocorrido num momento dramático, a pandemia de coronavírus e a quarentena forçada de milhões de pessoas.
Sem novelas originais para exibir, sem futebol, sem atrações matinais tradicionais e com reprises de programas de auditório, a Globo viu o "BBB 20" se transformar na sua maior arma no campo do entretenimento. Fato inédito, a emissora até estendeu a duração do reality por mais quatro dias.
Vários fatores contribuíram para este sucesso. Enumero dez deles:
Presença de famosos: Pela primeira vez, nove figuras já conhecidas fizeram parte do elenco junto com nove anônimos. Ainda que muito vantajosa aos famosos, a mistura funcionou e gerou ótimos momentos.
Machismo: Mal começou a edição, um grupo de homens se uniu e articulou uma ação machista para desestabilizar algumas das mulheres da casa. O conflito estabelecido naquele momento foi determinante para a história do reality.
Casa de Vidro: Duas pessoas, entre quatro candidatos, foram selecionadas pelo público a entrar no meio do "BBB 20" após se exporem por alguns dias numa jaula envidraçada num shopping. Ao entrarem na casa, Daniel e Ivy trouxeram informações sobre a articulação machista e mudaram a dinâmica do jogo.
Rivalidades entre famosos: Bianca Andrade e Rafa Kalimann já não se bicavam antes de entrarem no reality e tiveram uma discussão feia lá dentro. Fora do programa, outras celebridades, como Felipe Neto, Gabigol e Bruna Marquizine, entre outros, manifestaram seus gostos e antipatias com participantes famosos, insuflando torcidas nas redes sociais.
Felipe Prior: Associado inicialmente ao grupo machista, e visto como vilão, o arquiteto foi um dos protagonistas do reality show. Confiante, enfrentou abertamente os adversários no jogo, articulou jogadas mirabolantes e mostrou muita autenticidade, ainda que nem sempre de forma positiva. Foi eliminado no paredão com maior número de votos da história. Após sair, foi acusado por três mulheres de cometer atos de violência sexual e se declarou inocente.
Babu Santana: Longe do perfil de participante do BBB, o ator acabou se tornando outro protagonista. Foi indicado ao paredão nove vezes - um recorde - e voltou. Carismático, apesar do eventual mau-humor, inteligente e afável com os amigos, Babu deu aulas sobre racismo e preconceito racial no programa.
Manu Gavassi: A atriz e cantora entrou no BBB achando que estava gravando um vídeo para o Instagram. Tentou ditar o ritmo de sua exposição e entrou em choque com a produção do programa. Acabou se rendendo e entrou no jogo. Não teve uma participação extraordinária, mas contou com o maior e mais barulhento fã-clube.
Quarentena: A pandemia de coronavírus foi decretada em 11 de março, já com o "BBB 20" em andamento. A Globo informou aos participantes sobre a gravidade da situação, mas conseguiu manter todos em segurança sem precisar interromper o programa. A decisão revelou-se um acerto.
Tiago Leifert: Em sua quarta temporada, o apresentador se mostrou mais seguro e tranquilo. Já não deu tantas explicações aos participantes e ao público quanto em edições anteriores. Fez "discursos de eliminação" mais interessantes. E conseguiu manter equilíbrio e equidistância ao longo de todo o jogo.
Boninho: O sucesso da edição consagra o diretor-geral do programa desde o início, em 2002. Ele e sua equipe saem como os maiores vitoriosos neste momento difícil que a televisão está passando. Ofereceram bom entretenimento por mais de três meses. |
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