Quando a crise das Americanas tomou as manchetes, muita gente ficou espantada. A empresa brasileira, fundada em 1929 e sinônimo de sucesso comercial, continha uma série de erros contábeis multimilionários e, da noite para o dia, parecia respirar por aparelhos. No entanto, um detalhe aumenta ainda mais a sensação de tragédia: a crise atingiu uma empresa de e-commerce — um setor em franca expansão econômica no Brasil. O segmento de compras digitais dobrou de tamanho durante a pandemia e, em 2021, 10% de nosso varejo era digital, e "só" 90% físico, de acordo com a coluna desta semana de Felipe Zmoginski. Se o número parece modesto, pense duas vezes. Até agora, apenas um país no mundo vende mais pela internet do que em lojas físicas: a China, com 52% das vendas totais ocorrendo no varejo online. E o segredo, ao que parece, não é um só. Zmoginski separou cinco inovações dos e-commerces na China que fazem as compras on-line de lá serem bem diferentes do resto do mundo — e que se as companhias de varejo digital, como as Americanas, querem aumentar as vendas, é bom ficar de olho: 1. Social commerce: vendas dentro das redes sociais As redes sociais já possuem uma audiência orgânica, que está lá porque quer. Na China, o setor do varejo passou a vender por lá mesmo, onde os consumidores já estão. O caso mais famoso é dos miniapps do WeChat, aplicativo onipresente no país, onde há lojinhas digitais plugadas aos grandes marketplaces do país. 2. Live commerce: resenhas ao vivo por quem entende Na China, as empresas de e-commerce colocaram streamers qualificados e analistas de dados em ações relevantes de venda ao vivo, com descontos agressivos e ofertas de produtos exclusivos. O resultado foi que as lives fecharam 2022 respondendo por quase 20% de todas as vendas digitais no país. 3. Moedas digitais Desde 2021, o equivalente ao Banco Central da China emite dinheiro em criptomoedas soberanas, o RMB digital. Ou seja, parte da população já recebe salários e pagamentos em moedas digitais com lastro, um inegável incentivo à digitalização da economia. Se isso veio para facilitar o uso do dinheiro, o e-commerce aproveitou isso com força. Pagamentos com reconhecimento facial e carteiras digitais (que oferecerem crédito) que virtualmente chegam a toda a população reduzem o número de compras negadas, facilitam as vendas por impulso e evitam fraudes. 4. Influencers para toda ocasião: KOL, KOC, KSL e PGC O produto não chega para todo mundo pela mesma forma. Justamente por isso, o setor possui vários perfis de influenciadores, que funcionam de maneira bem diferente: - KOL significa Key Opinion Leaders, que são os influenciadores e jornalistas, um perfil já bem conhecido.
- Já os KOC (Key Opinion Consumers) referem-se à estratégia de converter consumidores em embaixadores digitais da marca.
- KSL é uma citação aos Key Specialist Leaders, ou seja, em transmissões digitais usam-se especialistas de verdade e não vendedores genéricos.
- Por fim, o PGC é o chamado Profissional Generated Content que é o uso, por marcas, de gente profissionalizada, influenciadores com excelente técnica e qualidade áudio visual para produzir vídeos curtos e outros conteúdos profissionais para promover vendas digitais.
5 - Integração de vendas online, físicas e logísticas Ir a uma loja, ver um produto em mãos e mandá-lo para casa (com entrega no mesmo dia) apenas escaneando um QR Code não foi uma estratégia simples, mas revelou-se muito bem-sucedida na China. **** CONFIRA TAMBÉM UOL CARROS DO FUTURO Toda quarta-feira, a newsletter UOL Carros do Futuro traz tendências e debates sobre as novas tecnologias da indústria automobilística. Nesta semana, a newsletter conta que já existe uma tecnologia para veículos autônomos que permite que o carro fuja de um dono devedor. Quer se cadastrar e receber o boletim semanal? Clique aqui. |
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