Enquanto o Brasil se transforma em uma ameaça sanitária global, assume a liderança em número de novos casos e óbitos pela covid-19 e o sistema de saúde entra em colapso, o governo brasileiro intensifica uma ofensiva no exterior para tentar desfazer a imagem de que a pandemia está fora de controle. A informação é do colunista Jamil Chade. Durante a semana, em diferentes fóruns internacionais, representantes do governo de Jair Bolsonaro se abstiveram de falar dos mortos ou lamentar perdas. A ordem era destacar as ações das autoridades, criando uma percepção de que a crise estava sendo controlada. Atual alvo de críticas, o governo tenta rebater e apresentar a sua própria narrativa sobre a situação no país. Na quinta-feira, durante uma reunião fechada do Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho, o tom adotado pelo Itamaraty foi um exemplo desse contra-ataque. A delegação reiterou o "compromisso do governo com os direitos de indígenas" e indicou que iria apresentar "fatos" sobre a ação do Executivo durante a pandemia. Na semana passada, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Brasil também insistiu que agia de maneira "consistente" para lutar contra o vírus. A afirmação gerou comentários irônicos por parte das demais delegações. Antes, também no mesmo Conselho, a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, declarou que o Brasil estava "garantindo" a vacina para todos idosos, profissionais de saúde e indígenas. Até agora, apenas 2,5% da população brasileira havia recebido as duas doses da vacina. 
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