Em um dos momentos mais tensos da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil, com recorde de mortes diárias e o sistema de saúde em colapso, a Anvisa autorizou o uso do antiviral rendesivir para tratar os pacientes com covid-19. O anúncio veio acompanhado também da aprovação do registro definitivo da vacina de Oxford-AstraZeneca. Desenvolvido para combater o ebola, o antiviral já havia apresentado bons resultados em pacientes infectados por outros coronavírus causadores da Sars e da Mers. O medicamento, que no ano passado começou a ser usado contra a covid-19 na Europa e nos EUA em caráter emergencial, atualmente tem uso autorizado em mais de 50 países. No Brasil, a medicação que será comercializada pelo laboratório Gilead teve sua grafia alterada para "rendesivir" —com "n" e não com "m", como é no restante do mundo. Em entrevista coletiva, representantes da Anvisa explicaram que o uso do medicamento reduz o tempo de hospitalização do paciente —um dado importante em um momento em que os leitos hospitalares estão ficando escassos diante da alta de casos no país. Por isso, a agência optou por autorizar o uso, visando ajudar a desafogar o sistema de saúde brasileiro. O rendesivir não será vendido em farmácias. Seu uso é restrito para hospitais e recomendado apenas para pacientes em estado grave que estão utilizando suporte de oxigênio pelo nariz, mas não intubados —uma fase em que a carga viral do paciente ainda pode estar considerada alta. Em entrevista ao VivaBem, Eric Bassetti, diretor médico associado da Gilead no Brasil, afirmou que o medicamento tem bons resultados para impedir a progressão da doença para sua fase grave. No entanto, ele reforçou que o remédio não é uma "tábua de salvação". "Ele vai servir para reduzir as mortes, mas ainda temos um longo caminho pela frente e precisamos manter as medidas de prevenção, como o distanciamento social e o uso de máscaras", afirma. Enquanto grande parte da população não for vacina, não contrair o coronavírus ainda é a melhor forma de não correr risco de hospitalização, sequelas e mortes por causa da covid.
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