Reviajar Por Renato Salles A primeira vez que viajei para a Europa, eu tinha o dinheiro contato para comida e hospedagem, e minhas compras se resumiam a filmes fotográficos. Já que eu não podia trazer nenhum souvenir, pelo menos eu traria a memória material da minha temporada. Voltei com 19 filmes de 36 poses para revelar (imagina a nota que foi!). 25 anos depois, meus 3 grossos álbuns estão na prateleira de cima do meu armário, e não vêem a luz do dia há décadas. Lembra quando alguém voltava de viagem, e marcava um encontro 'para ver as fotos'? Se você sabe do que estou falando, provavelmente você se contorceu de desgosto com essa lembrança. E quando a pessoa tinha os registros da viagem em slides? Ou vídeo? Não há nada ruim que não possa piorar (vide nosso poder executivo). Parte do meu exercício de saúde mental durante essa quarentena tem sido mergulhar na faxina. Enquanto a vassoura metafórica está trabalhando, a vontade de me afundar no vinho diminui consideravelmente. Comecei com a gaveta da mesa de cabeceira, fui para as roupas, passei para as pastas de documentos (o que eu poderia fazer com a conta de luz de 2013?)... Mas calma, não joguei meus álbuns de viagem fora, não! Passei os olhos por eles com um pouco de nostalgia, e segui para uma das partes mais difíceis da minha faxina: o álbum de fotos do celular! Eu tinha 'apenas' 44 mil fotos armazenadas. A nuvem estava tão cheia que previsão era de tempestade. Então munido de um bom HD externo, fiz chover fotos de outras tantas viagens esquecidas lá para na prateleira de cima do rolo de câmera. No processo, achei memórias empoeiradas mas tão gostosas, que passei horas sem pensar em boletos. Lugares que eu já nem me recordava, pessoas que conheci mas nunca mais vi, dias maravilhosos que deram gatilho de coração cheio. Achei videos engraçados de amigos fazendo palhaçada, que mandei no grupo de amigos porque não sou obrigado e dar risada sozinho. E também achei muitos, muitos pequenos videos que fiz ao longo das viagens. Há alguns anos, eu descobri que em vez de ver álbum ou slides, ter um video de 5 minutos, com uma trilha que tenha a ver, disponível do Youtube é a melhor forma de guardar boas lembranças de uma viagem. Todos aqueles bons sentimentos voltam como uma mini avalanche. Com meus parcos conhecimentos de edição, cheguei a fazer alguns tantos (se ficou curioso, você pode ver aqui e aqui). Porém deixei muitos por fazer, com o material bruto esquecido no celular, e afazeres mil para terminar antes. Meu estoque de fotos baixou só para 35 mil por enquanto, mas agora tenho uma meta de quarentena: editar os videos que ficaram para trás. O que mais tem agora é link de como viajar sem sair de casa. Mas agora acho que não é hora de querer viajar para fora, é hora de ficar em casa. Para acalmar o meu coração inquieto, vai ser melhor viajar para dentro, voltar para as viagens que eu já fiz, reviajar. Tem tanta coisa linda ali nas memórias que por enquanto me basta. |
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