A confirmação pelo Ministério da Saúde de onze mortes decorrentes da covid-19, em São Paulo e no Rio de Janeiro, subiu o tom de alerta na população sobre o avanço do novo coronavírus no país. Oficialmente, o país registra 904 casos confirmados de pacientes com diagnóstico positivo para o novo coronavírus. Vale ressaltar, contudo, que há um abismo entre os números oficiais e a quantidade real de infectados: entre as razões para isso estão, entre outros, os atrasos para contabilizar os casos enviados pelos estados, e o fato de nem todos os pacientes serem testados no país. Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a curva de transmissão do vírus só apresentará "queda profunda" apenas em setembro. Pelas projeções atuais, afirma o chefe da pasta, o país terá de "segurar a movimentação de pessoas" para tentar reduzir a velocidade da movimentação. O que é possível observar pelo padrão de propagação do coronavírus no país é que o Brasil repete o padrão dos países que atualmente mais sofrem com a covid-19: estamos seguindo um ritmo parecido de países como Alemanha, França e Reino Unido. Governadores sobem o tom diante de críticas de BolsonaroO presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acompanhado de ministros e parlamentares, realizou nesta tarde uma teleconferência com empresários para falar sobre medidas econômicas a serem adotadas pelo governo durante a pandemia de coronavírus. O encontro serviu para o presidente e outros participantes criticarem medidas estaduais e pedirem que a União tome o controle da gestão nacional da crise. Sem ser citado, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que mandou fechar as estradas e os aeroportos do Rio de Janeiro, foi alvo de críticas do presidente, para quem medidas como estas podem ser ainda mais danosas do que o novo coronavírus e fariam com que uma "catástrofe" se aproximasse de verdade. Em resposta, Witzel acusou o governo federal de negligência: "O governo federal precisa fazer sua parte. Nós não temos diálogo com o governo federal", reclamou, em tom de voz elevado, em entrevista ao vivo para o RJTV, da Rede Globo. Já o governador de São Paulo, João Doria Jr (PSDB), rebateu as declarações do presidente dizendo que os governadores estão fazendo o papel que seria dele, que é o de liderar em um momento de pandemia pelo novo coronavírus: "Lamento dar essa informação de que estamos fazendo aquilo que deveria caber ao líder do país, que é o presidente Jair Bolsonaro, e que, lamentavelmente, ele não faz. E quando faz, faz errado". |
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