sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

POLITICANDO: A segurança do ministro Moro

E mais: Juiz de garantias, Glenn Geenwald e Regina Duarte
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BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO de 2020
O presidente Jair Bolsonaro durante fórum em Abu Dhabi Foto: Satish Kumar/Reuters
A segurança do ministro
POR EDUARDO BRESCIANI
coordenador na SUCURSAL DE BRASÍLIA
Olá.

Desde que aceitou largar sua carreira na magistratura para virar ministro, Sérgio Moro tem vivido um período de aprendizado constante do mundo da política. E o fato de ter como chefe um presidente dado a rompantes frequentes como Jair Bolsonaro tem exigido ainda mais dele neste processo.

Nesta semana, Moro começou sob holofotes na bancada do prestigiado programa Roda Viva. Na sabatina com os jornalistas, evitou entrar em polêmicas causadas por Bolsonaro, dizendo respeitar a hierarquia. Mesmo assim, dois dias depois veio a público celebrar a decisão do ministro Luiz Fux de barrar a criação do juiz de garantias, medida sancionada pelo presidente.

Enquanto comemorava uma vitória, Moro não sabia que um contratempo começava a se desenhar. Na mesma tarde de quarta-feira, o presidente recebeu em seu gabinete todos os secretários de segurança pública do país na companhia de três ministros. Moro, diretamente responsável pela área, não participou. Na reunião, Bolsonaro ouviu pedido para recriação da pasta da Segurança Pública, incorporada à Justiça pelo atual governo.

A união das duas áreas é o que rende a Moro a alcunha de superministro. O presidente disse que estudaria a medida em reunião que foi transmitida ao vivo pelo Planalto. Não satisfeito, na manhã de quinta-feira, antes de embarcar para a Índia, enfatizou que daria prosseguimento ao debate e foi ainda mais claro dizendo achar "lógico" que Moro fosse contra.

O ministro evitou o confronto público com o chefe, mas seu descontentamento foi evidente. Ele confidenciou a aliados que comandar a área de segurança era um dos pré-requisitos da sua decisão de largar a magistratura para entrar no governo. Para estes interlocutores, Moro poderia até deixar o governo nesse cenário de esvaziamento, como revelou a colunista Bela Megale.

A ideia de criar uma pasta específica para a segurança já tinha sido revelada pelo GLOBO em dezembro. Na ocasião, Bolsonaro partiu para sua tática habitual de atacar a imprensa e chamou a notícia de "fake news". Agora, após admitir o estudo da medida, promoveu mais um recuo diante da repercussão. Do outro lado do mundo, ao chegar em Nova Dehli , o presidente disse que a chance de fazer a divisão "no momento, é zero". Mas sem descartar completamente o tema para o futuro, afirmando que "na política as coisas mudam".
Vale a leitura:
Qual a garantia?

Ao suspender por prazo indeterminado a entrada em vigor da figura de juiz de garantias, o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, contrariou de forma clara a maioria que se desenha no tribunal a favor da medida. Antes dele, o presidente da Corte, Dias Toffoli, tinha suspenso a regra por seis meses com o objetivo de que a Justiça se organizasse para a implementação.

Após a nova decisão de Fux, ministros como Ricardo Lewandowski reagiram pedindo que o plenário encare o tema de forma definitiva. Fux é o relator do processo e cabe a ele decidir quando liberá-lo para a pauta. Resta saber o quanto está disposto a se indispor com os colegas visto que em setembro assumirá a presidência da Corte.
 
Quem procura, nem sempre acha

O procurador Wellington Oliveira denunciou o jornalista Glenn Greenwald como partícipe no hackeamento de contas do Telegram de diversas autoridades da República. Para sustentar a medida, apontou um diálogo de Glenn com Luiz Henrique Molição, um dos envolvidos na violação. Na conversa, por quatro vezes o hacker pergunta de forma objetiva ao jornalista se deveria prosseguir com a invasão de contas de outras pessoas. Glenn não responde de forma objetiva em nenhuma oportunidade e o máximo que chega a fazer é sugerir que fossem apagados arquivos que os hackers lhe enviaram.
 
Lá vem a noiva...

Sem abandonar o largo sorriso, Regina Duarte passou menos de 48 horas em Brasília para conhecer a estrutura da Secretaria Especial de Cultura , que deve assumir na semana que vem. Nessa curta estada conseguiu gerar uma expectativa positiva no meio artístico de que sua presença seria capaz de evitar o clima de "guerra cultural" incensado, com claro apoio de Bolsonaro, pelo ex-secretário Roberto Alvim, que caiu após publicar um vídeo com inspiração nazista. Na saída da capital, porém, escalou para comandar a pasta interinamente uma pastora evangélica que há dois anos afirmou que a embaixada palestina em Brasília traz terrorismo para o Brasil. Talvez para deixar claro que não dá para se esperar uma mudança de 180 graus.
 
E nem tenho nada a ver com isso...

No fim de semana, o ministro Abraham Weintraub preferiu tocar gaita, de bermudas e chinelo, enquanto milhares de estudantes estavam desesperados com notas equivocadamente baixas, em razão de erros na correção das provas do Exame Nacional do Ensino Médio. Nas suas redes sociais, as mesmas onde veiculou o vídeo do momento musical, o ministro fez alguns comentários sobre o tema, mas sempre na linha do "está tudo bem". Coube a Alexandre Lopes, presidente do Inep, dar todas as entrevistas e tentar esclarecer com os erros teriam ocorrido. O número de processos na Justiça cresce a cada dia, mas o governo optou apenas por ampliar em dois dias o encerramento do Sisu.
 
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