O que você fazia há 10 anos? Será que você já tinha Facebook, ou ainda estava entusiasmado em encontrar na internet velhos amigos de colégio e outros estranhos que - como você - odiavam "acordar cedo" no Orkut?
E há 20 anos? Ficou com medo que seu computador fosse infectado pelo bug do milênio?
Falando em bug, já perceberam que dá meio um bug no cérebro quando falamos que 1980 não foi só 20 anos atrás? Sim, 40 lindos anos se passaram. Talvez por isso, pensar nas transformações que impactaram a última década nos pegue quase de surpresa.
Vimos acontecer uma mudança profunda na estrutura de trabalho. Quantos dos seus amigos viraram freelas? Empreenderam? Quantos Uber, Singu e Rappi vocês pedem por dia? A legislação está lá em um papel que funciona para poucos.
Nossas informações de gostos e preferências viraram de mera diversão para a principal forma de monetização de conteúdo: dados. E com isso, um monstro que não sabíamos ter criado - a produtização de nós mesmos.
O ápice do modelo de negócio profetizado pelo vale do Silício das startups chegou a seu império - ao mesmo tempo que começa a dar indícios de seu declínio. O crescimento a qualquer custo foi quase uma filosofia única - e avança seu questionamento quando monstros como o próprio Uber e WeWork começam a demonstrar insustentabilidade a longo prazo.
Mas se o humor da década será utópico ou distópico, não dependerá das tecnologias ou avanços científicos feitos, e sim se eles serão acompanhados na velocidade necessária com valores morais, ética e responsabilidade. Essa, sim, é a previsão difícil de se fazer.
E você, o que espera da próxima década?
Será que o mundo acabou?
Amiga nossa e sempre assertiva, a Ana Cortat reflete sobre como utilizamos a tecnologia para hackear o sistema que criamos, expandindo nossa visão da realidade, gerando fricções de todos os tipos e questionando valores estabelecidos.
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